Tema

Propostas para a modernização do comércio exterior brasileiro


Ao longo dos últimos anos, o comércio exterior brasileiro apresentou crescimento destacável, tendo as exportações mais que duplicado. A recente crise mundial trouxe preocupações para a economia nacional, mas, felizmente, os efeitos se afiguraram mais brandos que os esperados.

Nesse contexto de otimismo cauteloso, porém, observa-se situação de risco para o setor exportador, por, em médio prazo, as perspectivas serem de lenta retomada da atividade econômica mundial, em especial das nações mais desenvolvidas, que poderão ter ainda muitos percalços a transpor.

É necessário o aperfeiçoamento dos mecanismos anti-crise adotados e a implementação de medidas para maximizar e perenizar as condições de competitividade do país, em razão de se intensificarem os requisitos para o acesso e permanência de mercadorias e empresas no mercado global. A elevação do grau de comoditização dos produtos e serviços e de competitividade nos mercados aumenta as dificuldades para as empresas brasileiras, tanto externa como internamente.

Competitividade é requisito determinante para o Brasil ultrapassar esse período de incertezas e se firmar após a crise, sob a nova realidade da economia mundial, garantindo a consolidação de crescimento sustentável, que permita manter sua trajetória de desenvolvimento econômico e social. Para tanto, é necessário ampliar o nível educacional e as habilidades e competências das empresas; racionalizar o sistema tributário; adequar o sistema de financiamentos e garantias de riscos; melhorar a infra-estrutura e a logística, entre outras ações.

O comércio exterior brasileiro, por sua vez, para continuar em seu caminho virtuoso, requer a adoção de projetos integrados de modernização, que eliminem as barreiras internas e dêem condições de enfrentamento dos constrangimentos externos, mantidos os processos de abertura econômica e de maior inserção internacional em curso.

Não há outro caminho que persistir na conscientização de todas as esferas de governo, do setor privado e da sociedade sobre a necessidade de se dogmatizar a competitividade e modernizar os instrumentos de política de comércio exterior, imprescindíveis à retomada do crescimento das exportações de mercadorias e serviços a taxas elevadas e das importações essenciais ao setor industrial e ao abastecimento interno; e ao aprofundamento de sistemas de acordos preferenciais e de integração, entre outros objetivos.

O fortalecimento do comércio exterior continuará a produzir profundos reflexos positivos no emprego e na renda, contribuindo para a manutenção da estabilidade da economia e a redução da pobreza, condições fundamentais para garantir a almejada sustentabilidade do desenvolvimento econômico e social do Brasil.