

ENAEX 1972 - 2009:
37 anos de luta para institucionalizar política de comércio exterior
O I Encontro Nacional dos Exportadores - ENAEX foi realizado em 27 a 29 de novembro de 1972, no Rio de Janeiro. Foi a primeira vez, na história do país, que os exportadores se reuniram em encontro de âmbito nacional promovido pela recém criada Associação de Exportadores Brasileiros - AEB.
Revendo-se as 28 edições do ENAEX, pode-se afirmar ser ele intemporal. Os problemas e questões discutidos naquele longínquo 1972 atravessaram os tempos. Muitos foram solucionados, novos surgiram, mas permanecem grandes desafios para o comércio exterior brasileiro, em especial para o setor exportador.
O Encontro, ao longo desses 37 anos, tem buscado manter a característica de fórum que propicie o diálogo entre os diferentes segmentos empresariais e a autoridades do governo, na busca de soluções para os problemas que ainda atuam como entraves as nossas exportações e ao aperfeiçoamento das importações, de mercadorias e serviços, em processo de globalização econômica e, mais recentemente, de crise financeira mundial.
A recente crise mundial trouxe preocupações para a economia nacional, mas, felizmente, os efeitos se afiguraram mais brandos que os esperados. As perspectivas, porém, são de mais lenta retomada da atividade econômica mundial, em especial das nações mais desenvolvidas, que poderão ter ainda muitos percalços a transpor.
O contexto atual referenda as razões da insistência e persistência da Associação de Comércio Exterior do Brasil – AEB na discussão sobre vulnerabilidade externa do país, fragilidade produtiva e limitada capacidade competitiva, em decorrência da falta de políticas de produção e de comércio exterior integradas, etc., frente a opção do Brasil de seguir a tendência da economia mundial, iniciando o processo de abertura econômica, a partir de 1990.
Hoje, está inserido na economia mundial, o que significa não só manter e ampliar a abertura, como acatar as novas regras e participar ativamente das decisões em diferentes fóruns. Essa postura tem como efeito colateral a abdicação de parte da soberania no que se refere a decisões no comércio exterior e em alguns outros aspectos da economia. Por isso, é fundamental ter presente que abertura com inserção internacional é decisão política sob a expectativa de ser instrumento para promover e sustentar o desenvolvimento econômico e social.
Não se pode permitir que a inserção internacional atue como fator demolidor do sistema produtivo nacional, cabendo ao governo adotar medidas para reorganizar a economia, visando alcançar elevado nível de competência e capacidade competitiva na exportação, como em relação a produtos importados.
Em 2008, no 28º ENAEX, o debate voltou-se à A modernização competitiva do comércio exterior no contexto da abertura econômica e inserção internacional: como evitar a vulnerabilidade externa e efeitos de crises internacionais, em que se buscou discutir medidas de apoio à competitividade da produção e da exportação de mercadorias, bens e serviços, para evitar o retorno a situações vividas pelo país no passado, e eliminar os fatores inibidores ainda presentes, para se perenizar o crescimento econômico e social.
O quadro econômico mundial determina urgência na adoção de projetos integrados de modernização da economia do país, em que a competitividade deve ser a grande ênfase. A questão é como remover os constrangimentos externos e as barreiras internas à modernização competitiva, mantidas a abertura econômica e a maior inserção internacional, em cenário de câmbio apreciado e entraves internos à produção e à exportação.
Essa é a razão do tema do 29º ENAEX, Propostas para a Modernização do Comércio Exterior Brasileiro, diante dos novos desafios impostos ao país, tema esse que deve ser prioritário para o governo, entidades empresariais e empresas, de modo geral.
